
"Este Verão descobri que me transformei numa pessoa bastante tolerante.
Não que alguma vez tenha sido quadrada, mas confesso que havia coisas
relativamente às quais era bastante intransigente (adopção por casais
homossexuais à cabeça).
O primeiro sinal de mudança surgiu quando, há alguns anos, em conversa
com uma amiga, comentava o quão bom Pai era um conhecido comum: como ele
estava sempre a falar dos filhos, a enaltecê-los, e como fazia questão
de interromper a sua (atarefada) vida profissional para ser ele a ir
buscá-los à escola todos os dias. E qual não foi o meu espanto quando a
minha amiga revelou que os filhos dele tinham sido encontrados pelo
próprio num caixote do lixo (!!!), adoptados em nome da Mãe e
(muitíssimo bem) criados por ele e pelo namorado de há anos.
No mês passado, enquanto discutia com um amigo algo conservador a
possibilidade de o irmão dele (e meu ex-namorado, há que dizê-lo com
frontalidade) ser homossexual, dei por mim a defender tudo: a
homossexualidade, o casamento
gay, a adopção, o pacote todo. E nem queria acreditar nas palavras que me saíam da boca.
Se calhar é por trabalhar há uma série de anos num meio bastante...
"artístico". Ou se calhar fui eu que evoluí. Mas a verdade é que hoje
acredito que mais vale uma criança ser adoptada por dois (bons) adultos
do mesmo sexo que criada por casais heterossexuais como os referidos no
post abaixo. Mas isto, é claro, sou eu."
Post publicado originalmente em
Setembro de 2010.